O rádio exerceu sobre a minha geração um fascínio só comparável ao que a televisão, o computador, a internet, o celular, o iPad e as redes sociais exercem sobre os meninos de hoje. O rádio era uma caixa de madeira, com inúmeras válvulas de variados tamanhos e cores, que transmitia fantasia, sonho e deslumbramento. O rádio nos obrigava a fazer constantes exercícios de imaginação, o que para nós era não só gostoso como natural. Ouvíamos a voz de uma radioatriz e, a partir desse estímulo único, mas essencial, nós, os ouvintes de todas as idades e sexos, ficávamos a imaginar como seria a dona daquela voz tão bela. Era como se apenas a voz que brotava do rádio nos bastasse, o resto ficava por conta dos nossos sonhos – e que sonhos! Não sei se os meninos de hoje são capazes de compreender o sentido, o alcance e a importância desse exercício de imaginação e sonho – tão condicionados estão pelos falsos encantos das telas, telinhas e telonas, que nos oferecem o prato já feito. A tecnologia nos roubou, pelo menos em parte, a capacidade de imaginar.
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