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Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno. (Antonin Artaud)

Desbundados & Marginais



1969-74, no Brasil, foi um período marcado paradoxalmente pela forte repressão, censura e pelo extraordinário crescimento econômico impulsionado pelo próprio Estado autoritário. O ideário nacional-popular e as utopias revolucionárias que orientaram ações e projetos artísticos ao longo da década de 1960 se esvaíam com a consolidação da indústria cultural sob os “anos de chumbo”. Ao concentrar-me na MPB dos chamados marginais (ou “malditos”) e desbundados, com destaque para Jorge Mautner, Jards Macalé, Luiz Melodia, Sérgio Sampaio e Walter Franco, passando ainda pelos Novos Baianos, Secos & Molhados e por alguns daqueles egressos do tropicalismo, como Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso, demonstro que a contracultura made in Brazil, não raras vezes tachada de escapista, alienada ou depressiva, não foi um simples mal-estar provocado pelo AI-5, tampouco uma semente mal plantada, em terras inóspitas, do fenômeno estadunidense. Pelo contrário: reinventando meios de lidar com a coerção, ganhou aqui uma porção de nomes, significados e um solo histórico suigeneris. A partir da análise de documentos de época, canções e discos selecionados, além de festivais e outras atividades em que os músicos e seus parceiros estiveram envolvidos, sem negligenciar suas relações com a indústria fonográfica e os diálogos que estabeleceram com demais artistas atuantes, defendo a hipótese de que as novas experiências, linguagens, práticas e valores abarcados pela polêmica palavra contracultura configuraram-se, no Brasil daquele contexto, como uma estrutura de sentimento, afinada com transformações políticas, econômicas e socioculturais tanto em âmbito nacional quanto internacional.





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