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Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno. (Antonin Artaud)

Maysa




Aos 22 anos, a jovem Maysa era uma das estrelas mais bem pagas da música brasileira. A estréia da temporada na boate La Bohème, que lhe renderia um cachê de 140 mil cruzeiros por semana, cerca de 30 mil reais (valor considerado astronômico para os padrões da época), havia sido um sucesso. Era rica, famosa e cortejada por homens que dariam tudo para dividir um drinque com ela naquele abafado fim de noite do verão cario-ca. Mas, ao contrário do que sempre fizera depois de cada um dos shows, Maysa não aceitou o convite dos amigos para esticar a madrugada, para pular de bar em bar, esquecer o relógio e bater perna pela constelação de boates e restaurantes que compunham a paisagem boêmia do bairro. Enquanto os garçons ainda serviam doses generosas de cuba-libre, hi-fi e uísque aos clientes da La Bohème - e quando estes não haviam se refeito do vendaval emocional provocado por mais uma apresentação de Maysa -, ela chegou em casa, tirou a roupa e abriu a torneira da banheira. Era 11 de fevereiro de 1958, uma terça-feira. Ninguém pode dizer exatamente o que houve entre aquelas quatro paredes ladrilhadas de branco. Só se sabe que os vizinhos foram acordados por um grito de mulher no meio da noite. Nos dias seguintes, a notícia estava no rádio e nos jornais. Maysa tentara se matar, cortando o pulso esquerdo com gilete.



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