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Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno. (Antonin Artaud)

Chico Buarque


Rinaldo de Fernandes


“Alguns jurados sentiam que ‘Disparada’ era a melhor música mas votaram em ‘A banda’. O que se percebeu é que havia uma absoluta divisão do júri. Os votos foram contados. ‘A banda’ tinha sete votos, ‘Disparada’ tinha cinco. Seria essa a decisão final. Roberto Freire entregou o resultado a Paulinho Machado de Carvalho [um dos donos da TV Record] do lado de fora e ouviu: ‘Roberto, houve um impasse terrível. O Chico se nega a receber o prêmio’. ‘Mas por quê?’. ‘Ele se nega. Disse que se for votada ‘A banda’ ele devolve o prêmio em público’. Ambos entraram na sala dos jurados. O que teria acontecido? Enquanto o júri estava decidindo, Chico Buarque, já desconfiado de que iria ganhar, ouviu alguém afirmar: ‘Você ganhou’. Parecia uma grande notícia, mas Chico foi para perto de Paulinho Carvalho e disse: ‘Olha aqui, não deixa eu ganhar de ‘Disparada’. Eu não posso levar esse prêmio sozinho’. ‘Como? O júri é que decide’. ‘O júri pode decidir o que quiser. Eu não quero levar esse prêmio sozinho. Se ‘A banda’ for a primeira, eu devolvo o prêmio em público’. Era uma decisão irrevogável. Paulinho viu que era sério, subiu correndo ao terceiro andar do predinho onde o júri estava reunido e, quando entrou na sala, disse: ‘Tenho uma novidade pra vocês. O Chico acaba de me comunicar que de jeito nenhum leva esse prêmio sozinho’. A surpresa gerou um tremendo alvoroço. Os jurados já tinham dado suas notas, havia uma decisão já entregue. Paulinho ponderou que a plateia estava dividida e as duas músicas estavam tão perto, que o melhor era mesmo o empate, pois qualquer um que perdesse seria um desastre para a empresa: metade ia achar maravilhoso e a outra metade ia achar péssimo. O melhor seria arrumar o empate: o objetivo do festival era fazer com que as músicas crescessem e virassem sucesso. Finalmente, decidiu-se então pelo empate e pela divisão do prêmio entre os compositores das duas músicas.” (Zuza Homen de Mello)




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